domingo, 15 de junho de 2008

Uma foto e seu comentadores

Quando o desenvolvimento da indústria da internet possibilitou que mais e mais usuários produzissem o seu próprio conteúdo, houve uma série de consequencias curiosas. Do lado mais reacionário dessa pequena revolução, uma boa parte das pessoas já acostumadas a consumir informação pela web, algo agora corriqueiro, acharam ruim que não houvesse um filtro para opiniões postadas. Outros grandes veículos da mídia chegaram a considerar a opinião de blogueiros e afins algo completamente sem valor. Na outra ponta, aqueles que comemoraram a liberdade da própria produção da informação e os que abusaram disso.

Do meu ponto de vista a coisa mais interessante a ser analisada são os comentários a respeito de algo postado na internet, como um vídeo ou uma foto histórica. O exemplo abaixo, uma foto de um garoto negro tirada pelo fotógrafo John Vachon em Cincinnati, Estados Unidos, revela a riqueza de um artefato histórico. Uma foto belíssima, que em seu título deixa transparecer o imaginário de uma época e em seus comentários revela a importância da eterna discussão envolvendo a temporalidade das opiniões.

Clique na foto para ver os comentários ou talvez contribuir com suas reflexões a respeito:

sexta-feira, 9 de maio de 2008

História pela web: fotos que antigas que todos adoramos

Faz algum tempo que o Flickr anunciou um projeto chamado Bens Comuns, em que se pretende divulgar os tesouros fotográficos escondidos em coleções públicas mundo afora. Para quem trabalha com análise de imagem, uma boa fonte de arquivos a serem explorados visualmente e com fácil acesso. E para quem gosta de ver, simplesmente o puro deleite . Segue uma mostra com fotos da década de 30 e 40, coloridas, mostrando o cotidiano de trabalhores negros norte-americanos:


Esperemos por coleções européias, asiáticas e norte-americanas.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Judeus da caatinga e do agreste

Assisti por esses dias, pela primeira vez, o documentário "A Estrela Oculta do Sertão", dirigido pela fotógrafa Elaine Eiger e pela jornalista Luize Valente. O filme trata da questão da permanência de costumes judaicos entre algumas famílias católicas do sertão nordestino. Esses resquícios da hábitos religiosos, originários da identidade cripto-judaica de boa parte da população nordestina, já foi tema de alguns estudos. Eu mesmo já havia tido contato com alguns material sobre a questão ao escrever uma monografia sobre a presença judaica no Recife durante a ocupação holandesa.

Um filme bem interessante, que através de uma espécie de arqueologia cultural, recolhe alguns resquícios de hábitos que para mim, de família nordestina, não pareciam ter qualquer relação com qualquer matriz judaica. A produção contou com o apoio da professora da USP Anita Novinsky, talvez a maior especialista sobre este tema no mundo.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Starbucks na cafelândia...

"É proibido proibir

Lamento dizer não a Maomé
É proibido proibir
Queremos tomar café"

Esse era o refrão do samba-enredo da ACS ESM Camisa Verde e Branco, tradicional escola de samba do paulistaníssimo bairro da Barra Funda, em 1990. Tal qual outras iguarias alimentícias que serviram de tema para as agremiações de mômo, o café adentrava no rol da criatividade carnavalesca. Lembrei da música ao notar que as lojas Starbucks já dominam algumas esquinas paulistanas.

O primeiro ataque se deu nos shopping centers, onde se formaram filas e acotovelamentos por um momento de glória sorvendo um Mocha Frappuccino® blended beverage e outras bebidas. A classe média idolatrou a chegada do coffee shop mais famoso do planeta!! Pouca gente conversa, muita gente se exibe. O café não é desculpa para o papo, mas, tal qual a acumulação capitalista, tomar um café ali é um ato que gira em torno de si mesmo. E nunca esse hábito esteve tão longe da sociabilidade.
Como nem toda novidade é unânime, os cafezinhos de botequim e padaria, servidos em xícaras lascadas ou copo americano de vidro resistem impávidos. Existem diferenças no paladar, mas, a questão, sempre, é mais cultural. Há quem enxergue o artificialismo dos enlatados. Talvez o fato é que ainda somos o país do cafézinho. Hábito de longa duração.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A longa duração...

Pode parecer lugar-comum, principalmente para os familiarizados com a História e os historiadores, escolher a temporalidade braudeliana como título desse blog. Não que eu não tenha minhas diferenças com a quase inexistência da História na longuíssima duração de Fernand Braudel.

Para os não tão familiarizados com os conceitos acadêmicos da História, "A Longa Duração" tem o simples objetivo discutir e refletir sobre os acontecimentos, atuais e passados, de maneira interdisciplinar, apresentando pontos de vista variados, recuperando ecos dos mesmos acontecimentos no passado recente ou mais distante. Sua proposta é um exercício de reflexão sobre o mundo contemporâneo ligado às suas raízes no passado. Coisa de historiador? Talvez a intenção seja mostrar que esse exercício é válido para quem quer que seja...