sexta-feira, 21 de março de 2008

Judeus da caatinga e do agreste

Assisti por esses dias, pela primeira vez, o documentário "A Estrela Oculta do Sertão", dirigido pela fotógrafa Elaine Eiger e pela jornalista Luize Valente. O filme trata da questão da permanência de costumes judaicos entre algumas famílias católicas do sertão nordestino. Esses resquícios da hábitos religiosos, originários da identidade cripto-judaica de boa parte da população nordestina, já foi tema de alguns estudos. Eu mesmo já havia tido contato com alguns material sobre a questão ao escrever uma monografia sobre a presença judaica no Recife durante a ocupação holandesa.

Um filme bem interessante, que através de uma espécie de arqueologia cultural, recolhe alguns resquícios de hábitos que para mim, de família nordestina, não pareciam ter qualquer relação com qualquer matriz judaica. A produção contou com o apoio da professora da USP Anita Novinsky, talvez a maior especialista sobre este tema no mundo.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Starbucks na cafelândia...

"É proibido proibir

Lamento dizer não a Maomé
É proibido proibir
Queremos tomar café"

Esse era o refrão do samba-enredo da ACS ESM Camisa Verde e Branco, tradicional escola de samba do paulistaníssimo bairro da Barra Funda, em 1990. Tal qual outras iguarias alimentícias que serviram de tema para as agremiações de mômo, o café adentrava no rol da criatividade carnavalesca. Lembrei da música ao notar que as lojas Starbucks já dominam algumas esquinas paulistanas.

O primeiro ataque se deu nos shopping centers, onde se formaram filas e acotovelamentos por um momento de glória sorvendo um Mocha Frappuccino® blended beverage e outras bebidas. A classe média idolatrou a chegada do coffee shop mais famoso do planeta!! Pouca gente conversa, muita gente se exibe. O café não é desculpa para o papo, mas, tal qual a acumulação capitalista, tomar um café ali é um ato que gira em torno de si mesmo. E nunca esse hábito esteve tão longe da sociabilidade.
Como nem toda novidade é unânime, os cafezinhos de botequim e padaria, servidos em xícaras lascadas ou copo americano de vidro resistem impávidos. Existem diferenças no paladar, mas, a questão, sempre, é mais cultural. Há quem enxergue o artificialismo dos enlatados. Talvez o fato é que ainda somos o país do cafézinho. Hábito de longa duração.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A longa duração...

Pode parecer lugar-comum, principalmente para os familiarizados com a História e os historiadores, escolher a temporalidade braudeliana como título desse blog. Não que eu não tenha minhas diferenças com a quase inexistência da História na longuíssima duração de Fernand Braudel.

Para os não tão familiarizados com os conceitos acadêmicos da História, "A Longa Duração" tem o simples objetivo discutir e refletir sobre os acontecimentos, atuais e passados, de maneira interdisciplinar, apresentando pontos de vista variados, recuperando ecos dos mesmos acontecimentos no passado recente ou mais distante. Sua proposta é um exercício de reflexão sobre o mundo contemporâneo ligado às suas raízes no passado. Coisa de historiador? Talvez a intenção seja mostrar que esse exercício é válido para quem quer que seja...